De que “drogas” estamos falando? O que chamamos habitualmente de “drogas” corresponde às drogas psicoativas, que têm atração por atuar no cérebro, modificando a sensibilidade, o modo de pensar e, muitas vezes, de agir. Isso inclui, além de produtos ilegais como maconha, crack e cocaína, os medicamentos para emagrecer que contêm anfetaminas, a nicotina, o álcool e a cafeína. Por isso, ao se discutir “drogas”, é necessário diferenciá-las. As drogas não são todas iguais. São distintas do ponto de vista do risco orgânico, dos efeitos e da dependência que podem provocar, da aceitação legal e cultural que desfrutam, implicando distintas situações de risco. E não necessariamente os riscos decorrentes das convenções sociais, que estabelecem em cada momento e sociedade se cada droga é lícita ou ilícita, correspondem aos riscos orgânicos decorrentes de seu uso ou abuso.
Na verdade, o uso de drogas não é algo novo para a humanidade e não existem
evidências de que deixará de acontecer. O consumo de diferentes substâncias psicoativas no trabalho, no lazer ou em rituais e festas, com papel agregador de comunidades, é comum a todas as culturas, e o uso social e religioso de drogas prazerosas, capazes de modificar o humor, as percepções e sensações, tem sido uma constante ao longo da história humana.
O alarde da mídia, os gastos vultosos nas ações de “guerra às drogas” e de repressão
à comercialização e ao consumo não têm produzido impactos sensíveis, a não ser o de
situar a questão como caso de polícia. É necessário reconhecer que o fenômeno moderno
das drogas é produto da própria vida em sociedade, das rupturas nas relações afetivas e sociais e da desproteção de seus membros. Atualmente, as drogas são distribuídas segundo regras financeiras e comerciais do mercado, como todas as demais mercadorias, ocupando um lugar altamente lucrativo na economia e uma posição própria no modo de organização social.
(...)
É necessário deixar claro que todos os dados disponíveis não apontam para uma
epidemia das drogas no Brasil; o seu consumo no país não é privilégio de jovens nem se caracteriza principalmente pelo abuso de drogas ilegais. Ao contrário, as drogas legais e banalizadas pela sociedade associam-se aos riscos mais significativos. Superar o alarmismo e a sensação de “catástrofe iminente” só pode ajudar na abordagem sensata da questão.
Fonte:
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Temas Transversais – Saúde. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC /SEF, 1998. 284 p.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.